Inovações ampliam a participação de mulheres na construção civil

Matéria veiculada no Blog da LUX – Março/2015

Com processos mais modernos e menos braçais, construtoras aumento o número de mulheres na construção civil As mulheres estão cada vez mais presentes na construção civil mineira. De acordo com levantamento do Sindicato da Indústria da Construção de Minas Gerais (Sinduscon-MG), com base em dados do Ministério do Trabalho e Emprego, entre 2006 e 2013, o número de trabalhadoras no setor aumentou de 12.307 para 32.576. Com isso, a participação feminina em relação ao total de empregados do segmento saltou de 5,1% para 9% no mesmo período.

Além do aumento da oferta de empregos, que tem atraído a mão de obra masculina para outros setores, a modernização da construção civil também ajuda a explicar a “invasão” feminina aos canteiros de obras. Graças ao surgimento de novas formas de construir, o trabalho braçal tem sido substituído por processos mais industriais e tecnológicos, abrindo mais espaço para o “sexo frágil”. “As mulheres geralmente são mais atenciosas e detalhistas, características que são fundamentais na hora de fazer os acabamentos, por exemplo”, afirma Marcela Melo, coordenadora de RH da Precon Engenharia, empresa na qual as mulheres respondem por 30% do quadro operacional.

Isso foi possível graças a um inovador sistema construtivo residencial, baseado em estruturas pré-fabricadas de concreto, produzidas industrialmente e enviadas, já prontas, ao canteiro de obras, onde são montadas. O modelo não só reduziu o tempo da obra e o volume de resíduos – que ficou 85% menor –, como diminuiu a quantidade de trabalho pesado no local do empreendimento. “Toda a alvenaria do empreendimento – composta por pilares, vigas, painéis e lajes – é produzida em nossa fábrica, em Pedro Leopoldo. Como o processo é industrial e bastante automatizado, conseguimos absorver mulheres em nossa linha”, explica. Ainda segundo a coordenadora de RH da Precon Engenharia, a planta passou, inclusive, por reformulações estruturais para aperfeiçoamento da ergonomia de trabalho, como a colocação de bancadas elevadas ao longo da linha de montagem, o que atraiu mais trabalhadoras. “Em geral, elas são mais cuidadosas com a qualidade final do trabalho. Por isso, costumam se destacar como soldadoras, montadoras e líderes de setores”, ressalta Melo.

É o caso de Eliete Soares. Depois de trabalhar como operadora de telemarketing, ela decidiu mudar o rumo de sua carreira profissional e investiu em dois cursos de soldagem no Senai. Saiu de lá empregada pela Precon Engenharia e, há onze meses na empresa, passou de montadora nível I para montadora nível II. Atualmente, trabalha em um empreendimento residencial em Vespasiano, na região metropolitana de BH. “Buscava outras oportunidades e resolvi aceitar o desafio de trabalhar na construção. Já me acostumei com o serviço e gosto muito do que faço”, garante. Perguntada sobre como os homens a veem no canteiro de obras, ela lembra que costumava ser alvo de algumas piadas, mas que ganhou o respeito dos colegas. “As brincadeiras são normais no início. Depois de um tempo, o pessoal conhece a gente e passa a respeitar”, explica.

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